27.2.13

Amamentação sem preconceito

Este é um assunto que provoca julgamentos por parte de mães de todos os cantos do mundo. Algumas defendem que quem não amamenta não é mãe e pregam praticamente a escravidão da pobre da mulher, como se ela tivesse de viver eternamente com o seio de fora. Outras acham que não é importante e criticam as mães que "amamentaram demais". 
O que se vê atualmente é uma cultura de julgamento da maternidade. Parece que as mães só sabem julgar umas às outras, quando, na verdade, deveriam se unir e trocar figurinhas. Nossas mães têm ótimos conselhos, sim, mas a vida moderna traz novas necessidades.
Exemplo básico é o momento em que o bebê abre os olhos. Meu marido tirou uma foto da Beatriz minutos depois que ela nasceu e ela estava com duas jabuticabas gigantes encarando a câmera. Fala sério!
A amamentação é outro assunto cuja abordagem mudou muito ao longo dos anos. Quantas histórias vocês não ouviram de que amamentar faz cair o peito, mima demais a criança ou simplesmente não traz nenhuma vantagem? Ou de que existe leite "fraco"?
Hoje sabemos que tudo isto é mito. Sabemos que amamentar é muito importante para a saúde do bebê, que fortalece o seu vínculo com a mãe e ajuda na formação do seu sistema imunológico. A OMS recomenda que o bebê seja amamentado exclusivamente no seio até 6 meses de idade, A partir daí, devem ser introduzidos outros alimentos complementares ao seio materno, até os 2 anos de idade.
Tudo muito bonito na teoria e no site da OMS. Lindas imagens de mulheres felizes, amamentando, com um bebê sempre gordinho.
Foi esta imagem que mantive na minha cabeça a gravidez toda. Eu, feliz da vida, com a bebê no colo, amamentando ou, depois, enchendo sacos e sacos de leite extraídos com a minha (carésima) bombinha. Momentos depois dela nascer, quando eu estava de volta na sala "pré-parto", a obstetriz me deu a bebê e ela vorazmente começou a mamar. Eu já sabia que era só o colostro, mas fiquei toda feliz que meu sonho tinha se realizado. 
Na segunda noite na maternidade, fui surpreendida com a pediatra solicitando minha autorização para dar fórmula para a Beatriz porque a glicose dela estava baixa. Me assustei muito, mas só depois vi que o "baixo" era um ponto abaixo do normal. Tudo bem, deram a fórmula e tudo se normalizou.
Mas meu leite não descia. Tinha só colostro e, quando recebi alta, a pediatra disse para continuar só com o seio. Questionamos sobre a fórmula, porque meu leite não vinha, e ela recomendou o Nan Pro1.
Em casa, tive muitas dificuldades. Ela já mamava "ao contrário", ou seja, com as perninhas grudadas na lateral do meu corpo e, depois de esvaziar os dois seios, chorava muito. No segundo dia em casa, ela não urinava de jeito nenhum e ainda não tinha evacuado. Liguei para a obstetriz e ela me orientou a dar o Nan urgente e ir ao pediatra, porque meu leite não tinha descido (e eu estava tomando o remédio e cuidando da alimentação). 
Na pediatra (que eu acabei trocando, porque ela não atende fora do horário - vamos falar disso depois), ela viu que meu leite não desceu e orientou a dar o Nan HA (hipoalergênico) depois de ela esvaziar os dois seios. Além disso, aconselhou a estimular a produção tirando com a bomba a cada uma hora. Uma semana depois do parto, meu leite veio. Eba!, pensei, meus problemas acabaram. Que nada... ela esvaziava os dois seios e, se não gritava de fome, passava uma hora e já queria mamar de novo. 
Eu ficava com a bombinha de um lado e a bebê do outro. Esvaziava o seio com o bombinha e conseguia tirar, pasmem, 30ml. Só o complemento era 90ml!!! Chorava muito.
Com 20 dias, fomos a outro pediatra e eu já ia voltar ao trabalho. A bebê mamaria só fórmula em duas mamadas e, nas demais, seria seio e mamadeira. O novo médico, que eu adoro, não me julgou e viu em mim o empenho e a vontade de amamentar. Continuei dando o seio (que eu chamo de "propaganda enganosa") até ela se cansar, o que aconteceu com quase 3 meses. Ela batia no meu seio e chorava muito. E eu, lógico, chorava junto.
Desmamei. Hoje ela toma mamadeira e vamos introduzir os sucos. Ela está muito saudável, nunca teve uma gripe, uma virose, nada. Quase não tem cólica e o intestino funciona uma vez ao dia religiosamente.
Tenho uma bebê saudável e hoje me orgulho disso. Porque tenho certeza que me esforcei para amamentá-la com o pouco que tinha. 
XO 
Editado (eba!): A nossa história saiu na revista Pais e Filhos, olha que legal: http://revistapaisefilhos.uol.com.br/culpa-nao/nao-tinha-leite

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