13.12.15

Minha filha é diferente

Oi pessoal, tudo bem?
Quem acompanha o blog sabe que eu sou dramática, que meus sentimentos são sempre à flor da pele, que é tudo intenso e bota intenso nisso. Então preparem-se para um post que mostrará bem a minha demência intensa.
Já contei aqui para vocês do atraso de fala da Beatriz. Estamos com a fono há cinco meses, uma vez na semana, e estávamos vendo um pequeno progresso. Pequeno, mas progresso. Percebemos que as coisas poderiam andar melhor quando a escola nos chamou e novamente ressaltou a dispersão da Beatriz nas rodas de história ou nas situações em que ela "tinha" de ficar sentada. Fomos ao pediatra e o mesmo nos recomendou consultar um neuropediatra, fazer uma audiometria e.... wait for it... colocar a Beatriz em período integral na escola.
Pausa.
Eu fiquei sem chão. Que problema ela poderia ter? E, pior, o que meus sogros - que ficam com ela meio período - iriam dizer?
A parte dos sogros foi - ou está sendo a mais difícil - porque eles não aceitaram e foi deflagrada a terceira guerra mundial. Estamos agora na Guerra Fria (se alguém apertar um botão, todo mundo morre, rs).
À guerra se somou a ansiedade gerada pelo resultado que tivesse com o neuropediatra, resultando numa depressão mediana na mamãe aqui. Estou devidamente tratada e agora consigo colocar as ideias numa linha reta para escrever o que aconteceu.
Fomos em dois profissionais e o resultado foi o mesmo: a Beatriz não aparenta ter nenhum problema neurológico e, descartadas as causas comuns de atraso (paralisia cerebral, autismo e deficiência auditiva), tivemos o diagnóstico de distúrbio específico de linguagem (ou DEL ou, em inglês, Specific Language Impairment). É uma dificuldade específica em formar frases e produzir palavras, que não se relaciona com nenhum outro distúrbio.
Ela precisa do acompanhamento fonoaudiológico e, eventualmente, de uma psicóloga comportamental. Quando ela adquirir a linguagem, a questão da falta de atenção deve melhorar, segundo os médicos. Um deles se apaixonou pela Beatriz, e ela interagiu a consulta toda, conversou com ele (na língua dela) e ele nos deu plena tranquilidade de que, adquirida a linguagem, ela vai prestar mais atenção.
Porque a linguagem é tudo, gente. Nossa, como eu demorei para perceber isso. E só agora posso "aceitar" plenamente que minha filha tem um atraso, que afeta TUDO na vida dela. Não fizemos nem desfralde... Ela raramente me diz o que quer comer... E, quando diz, é uma festa!
Fomos a uma festa com teatrinho e foi uma loucura. Toda hora a apresentadora pedia para a Beatriz se sentar. Todas as crianças sentadas e ela levantava toda a hora para mexer nos fantoches ou no coelho ou na pomba... Isso me incomodou muito ontem, foi motivo de stress, mas hoje já consegui raciocinar: ela é diferente. Por que ela deveria ficar sentadinha como um carneirinho (nas palavras da minha mãe)?
Eu imagino que o atraso da linguagem cause esta falta de obediência aos comandos do convívio social. Mas não consigo fechar meus olhos e achar normal que uma criança de três anos não possa passar a mão na pobre da pomba que está no teatrinho... Será que estou louca?
Tem horas que eu choro. Minha filha não tem nada grave. Daí eu paro. Daí eu escrevo. Daí eu aceito e penso que a fono vai resolver e a terapia vai ajudar.
Vamos em frente.
XO
P.S. Estou sempre aberta a sugestões, conselhos, opiniões e indicações de profissionais. Os comentários estão aí!!

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