25.11.13

As mentiras que os médicos contam

Todo mundo mente, é do ser humano, mesmo que se tratem de pequenas mentiras, aquilo que os falantes da língua inglesa chamam de "white lies". São as mentiras que, na teoria, não machucam, e que servem até para proteger a pessoa de um sofrimento maior.
Este post é bem um alerta sobre estas mentirinhas aparentemente inofensivas, que são até socialmente aceitas por alguns. Antes de começar a tratar especificamente do assunto, quero já deixar claro que não sou médica, nunca estudei medicina e odiava biologia na escola. Tive Biodireito e Medicina Forense na Faculdade e confesso que até gostava, mas jamais, nunca, posso dizer que tenho algum tipo de conhecimento em medicina.
Mas sou advogada, paciente e, agora, mãe, então penso que um alerta é algo que posso dar. 
Todo mundo sabe que o índice de cesáreas aumentou absurdamente no Brasil e no mundo todo. E todo mundo também sabe que a maioria destas cesáreas são denominadas "eletivas", ou seja, são agendadas por simples conveniência do médico e da paciente. 
O que os médicos às vezes não revelam e a gestante acaba não se dando conta é que a cesárea é uma cirurgia abdominal. Ou seja, você vai tomar anestesia, vão abrir sua barriga, remexer no seu útero e no que estiver em volta, para retirar o bebê e a placenta. E, como toda a cirurgia, há um período de recuperação beeem mais longo e geralmente dolorido. Afinal, há cortes, pontos e remexidas internas envolvidas. 
Daonde eu tirei isso? Do Dr. Google, que me levou a um artigo da Mayo Clinic, um dos hospitais mais renomados do mundo, onde inclusive euzinha já me tratei (isto fica para outro post, rs).
Neste artigo, bem objetivo por sinal, a equipe alerta para as cesáreas realizadas antes da 39ª semana de gestação, quando o bebê não está totalmente "pronto" (parece que estou falando de bolo, rs). Aí eu pergunto: quantos de vocês já ouviram grávidas contando que suas cesáreas foram marcadas para a 38ª semana? Ou que "ah, meu médico não deixa passar das 38 semanas"? Ou, pior, "meu médico não deixa que o bebê passe dos 3kg".
Aí eu me questiono, dentre os outros milhares de estudos falando a mesma coisa do artigo da Mayo: quem tem razão? E sequer podemos culpar a coitada da gestante, que acaba confiando piamente no médico...
Então, vai o meu alerta: questione! Informe-se! Pesquise! A internet está aí para isso. Veja se no seu caso é realmente indicada a cesareana! É seu direito como paciente obter todas as informações necessárias antes que se decida pela intervenção ou não. Se você faz questão de parto normal e você está em condições médicas para isto, insista, procure outra opinião. Tudo pelo seu bem e pelo bem do bebê.
Estou aqui falando e falando e deve ter gente pensando "ah, tá na cara que ela fez cesárea, ainda daquelas com lipo no final". 

Não, não fiz. Escolhi médico defensor do parto normal e passei a gestação toda treinando para isto e rezando para a bebê não resolver se sentar no colo do meu útero. Fiz yoga, controlei meu peso, regulei minha tireóide e cheguei saudável (mas cansada) às 41 semanas.
Até hoje muitos me criticam e falam o quanto seria arriscado esperar tanto. Ué, não entendo... se a gestação dura 42 semanas, por que antes seria arriscado? E a dor? Sim, fiquei exatas 10 horas com contrações até tomar anestesia (pausa para críticas). "Ah, mas você tomou anestesia, que fácil". 
Fácil? Fique 10 horas com dor e depois me conte. Resultado: parto normal de um bebê muito saudável, com APGAR 10, de 3kg560g e 50cm. Estava andando no mesmo dia e, no mês seguinte, voltei ao trabalho e ao resto das minhas atividades normais.
Admiro, e muito, aquelas que têm o chamado "parto natural" ou humanizado, sem anestesia. Eu confesso que não sou tão corajosa e gostaria de ter esta força de leoa.
Fica, aí, o meu alerta: questione e pense em você e no seu bebê.
XO

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