5.9.13

Alimento bem a minha filha, e daí?

"Não, a Beatriz não come doces. Nem bolacha sem recheio". 
"Ela nunca provou açúcar refinado. Nem mascavo, nem cristal, nem orgânico".
"Não pode dar mel nesta idade, por risco de botulismo."
"Refrigerante? Nunca. Nem guaraná."
Já perdi a conta de quantas vezes eu já repeti as frases acima, inclusive para familiares. E quantas vezes fui chamada de xiita, radical, ecochata, entre outras. Pergunto: qual o problema em querer cuidar da alimentação do bebê? Em criar uma cultura sem doces, ou em que a "porcaria" é exceção?
Aparentemente, há muitos problemas nisso, porque parece que eu quero que minha filha viva numa "bolha", recheada de produtinhos orgânicos, naturais, ruins, eca. Sei que o bichão vai querer comer salgadinho e tomar refrigerante, mas é nosso papel restringir essas porcarias à exceção. Fins de semana e festas, por exemplo. 
Não quero que minha filha viva de queijos processados, nuggets e danoninho. Se ela quiser experimentar e comer eventualmente estas coisas, pode, lógico, até porque seu nós proibirmos, com certeza ela vai procurar comer escondido e em grandes quantidades (experiência própria desta viciada em regime que vos fala).
O que percebo é uma cultura de julgamento. Sabe aquela máxima de "na minha casa foi assim, então pode"? Comigo não funciona assim. Se você for me julgar, se prepare para a batalha, pois vou te encher de argumentos dos dois lados do caso, até você cansar e me odiar. Ou não, ou mudar de ideia. Acontece, viu.
Vejo muitas mães que pensam como eu e não querem que os filhos sejam "aculturados" às porcarias, ao "hermeticamente fechado", à cultura da galinha pintadinha e do patati-patatá, chatos e padronizados. Sim, a criança terá contato com isto eventualmente, mas, baseada nas experiências que você lhe passar, ela poderá escolher. Ué, criança escolhe? Mas lógico. E melhor que nós.
Apenas para finalizar e para horrorizar alguns: minha filha come tofu. E adora.
XO

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